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Espero que você ao acessar este blog esteja ciente que terá acesso a verdades, mas verdades plausíveis que podem a qualquer momento serem refeitas.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Dores que nos transformam.

Nestes últimos anos de vida já passei por poucas e boas e sei bem o que Paulo diz na sua carta aos Filipenses: “Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece.” Tenho experimentado na pele.




A vida é uma caixa de surpresas, algumas boas, outras nem tanto. Mas sei que posso todas as coisas olhando para meu Cristo. Às vezes me disperso no olhar, mas logo volto. Assim é nossa vida, cheia de altos e baixos, mas precisamos aprender a viver neste contexto. Nem tudo são flores.



Aprendo que no caminho da vida, passaremos por quase todo o tipo de experiência. Sei também que só aprendo a ser dependente de DEUS, dependendo dele.



As dores nos transformam em indivíduos maduros para realidade, em homens e mulheres que gostam de aproveitar cada instante da vida mesmo passando pela dor. A dor precisa nos transformar, nos fazer caminhar, olhar para vida com mais esperança.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

João Calvino: Vida e teologia.

Contexto histórico.





A dois séculos antes mais ou menos de acontecer a reforma protestante os precursores deste movimento haviam, com sua próprias vidas, plantado um pouco daquilo que seriam os idéias sócio-econômico-cultural-político religioso reformadores. Homens como Jhon Huss e Wycliff gozavam tanto de um sucesso como de um insucesso na implantação de seus ideais.

Neste mesmo intento de reforma a igreja cristã um homem chamado Martinho Lutero dá inicio ao que conhecemos como reforma protestante. Passo a passo ele foi rompendo com a teologia, tradição e pratica da Igreja Católica Romana até que em 31 de outubro de 1517 ele pregou nas portas da igreja de Wittenburg as suas 95 teses contra a venda de indulgência. Não somente estas teses como também outras obras de Lutero foram traduzidas para diversas outras línguas o que facilitou a propagação dos idéias reformadores e sua desarraigarão da igreja católica.

A maior parte dos monges, antes indiferente ao que ocorria fora dos conventos deixou seus claustros para pregar o evangelho do Novo Testamento. Nesse tempo, não poucos sacerdotes romanos tomaram-se luteranos, sendo o exemplo deles seguido por muitos fieis de suas paróquias. Também, não poucos bispos fizeram o mesmo. Muitos humanistas famosos dedicaram sua cultura propagando e defendendo a nova expressão do Cristianismo.

A Reforma, já fora dos limites da Alemanha, estava produzindo considerável alteração no modo de vida do povo em outras regiões da Europa. Deixou de ser um movimento de conotação simplesmente anti-papal, para se tornar-se um dos maiores avivamentos religiosos da História da Igreja. Surgiram logo depois, muitos outros movimentos reformadores, paralelos, destacando-se precisamente na Suíça, França, Escócia e Inglaterra.

Neste contesto nasce e cresce aquele que seria o teólogo mais influente ao protestantismo pós- luterano.









Vida de Calvino.



No dia dez de julho de 1509, em Noyon Picardia, norte da França, nasceu Jean Cauvin, filho de Gerard Cauvin e Jeanne Le Franc de Cambrai. Nesta época Lutero já havia pregado suas primeiras conferencias na Universidade de Witteberg. Calvino era aproximadamente 26 anos mais novo que Lutero, o que fazia dele pertecente á segunda geração da reforma protestante.

Seu pai pertencia a classe média da sociedade de Noyon, e com o exercício do secretariado do bispo e procurador da biblioteca da Catedral procurou oferecer ao seu filho João os benefícios eclesiástico com os quais iria custear seus estudos.

Aos três anos de idade Calvino perde, para a morte, sua simples calma piedosa, bela e religiosa mãe.

Ele teve sua infância em dias que a Igreja Romana e suas crendices tinham forte influência sobre o povo que se dispunha a crer em qualquer coisa absurda. A igreja dizia possuir fios de cabelo de João Batista, um dente do Senhor Jesus, um pedaço de maná do Antigo Testamento, algumas migalhas que sobraram da primeira multiplicação dos pães e alguns fragmentos da coroa de espinhos usada por Jesus.

Deste muito pequeno Calvino aprendeu as polidas maneiras da sociedade, isto em decorrência das suas relações muito próxima com a nobre e poderosa família dos Montmor.

Quando Calvino tinha apenas 12 anos de idade ele foi nomeado capelão da Catedral de Noyon, tronando-se assim membros do clero. Evidentemente ele não possuía todas as ordens sacerdotais mas o suficiente para lhe conferir ao lucros do benefícios eclesiástico.

Aos 14 anos de idade Calvino foi enviado ao Colégio Montaigri, em Paris, onde dedicou-se as artes liberais e mais tarde iria estudar teologia. Como estudante ele era excepcional e se avantajava em muito aos seus companheiros. Era um rapaz de baixa estatura, organismo fraco e delicado, feição pálida , olhar brilhante, muito inteligente e de firme caráter. Era tímido, irritável, muito austero, organizado, inflexível. Muito disso sabemos graças a sua biografia escrita por seu sucessor, Teodoro de Beza. Em Paris aprendeu bem latim e foi instruído na filosofia e na dialética completando seu curso de graduação no começo de 1528.

Aos dezoito anos foi nomeado para outro cargo eclesiástico o de pároco de S. Martinho de Marteville, no entanto ele não era sacerdote. Posteriormente Calvino veio a abrir mão do seu primeiro cargo eclesiástico em favor de seu irmão mais novo e trocou Marteville por Pontievê. Em 1534 abdicou a este segundo cargo.

Dizem que Calvino era conhecido entre seus colegas como ‘caso acusativo’ por estar sempre censurando-os e criticando severamente as suas falhas.

Por causa de um desentendimento de seu pai em 1528 com autoridades eclesiásticas a respeito de questões financeiras, Calvino foi transferido para a Universidade de Orleans e Burges, onde de acordo com a vontade de seu pai, agora excomungado, estudaria direito. Em Bourges, sob a influencia do alemão Melchior Wolmar, aluno de Lutero, passou a estudar grego e assim teve acesso ao Novo Testamento grego de Erasmo de Roterdã. Lá também abteve fortes influencias humanicista.

Com o falecimento do pai em 1531 e o termino da faculdade jurisprudência, mesmo nunca ter sido de seu agrado, Calvino passou a tomar suas próprias decisões e assim seguir seu desejo: esforçar-se no estudo das letras, tanto línguas (grego, hebraico e latim) com literatura. Ele assim o fez no Colégio Royal de França, uma instituição humanista fundada pelo rei Francisco I em 1530. Para lá fora a fim de estudar sob a direção um dos mais eminentes humanistas da época.

Entre a conclusão do seu comentário sobre a obra “Sobre a Clemência”de Sêneca e o fim do ano seguinte Calvino se converteu, adotando as idéias da Reforama e dispensado imediatamente o dinheiro das rendas eclesiásticas. No prefacio do seu comentário sobre o livro de Salmos ele escreveu um pouco sobre sua conversão: visto que eu estava mais teimosamente preso ás superstições do papado do que era possível desvencilhar-me de tão profundo lamaçal. Deus subjugou o meu coração da obstinação de minha idade para a docilidade de uma subida conversão. Forçado a abandonar a França, em 1534, por colaborar com Nicholas Cop, reitor da Universidade de Paris, na elaboração de um documento, recheado de humanismo e de Reforma, seguiu para Basiléia

Em Basiléia, uma cidade protestante, Calvino termina a sua maior obra teológica a “ Instituto Religionis Chistianae”, obra que teve de ser terminada as pressas em decorrência da necessidade de se defender os protestantes das acusações, perseguições executadas pelo rei Francisco I. “Na dedicatória, João Calvino pede que o rei faça uma distinção entre os ‘piedosos”, os verdadeiros adeptos do Evangelho, e os entusiastas, pois eram estes que provocavam a desordem no Estado.

A boa aceitação das Institutas motivou Calvino a continuar seus estudos teológicos e a transferir-se para Estrasburgo. A caminho de Estrasburgo, uma cidade protestante, ela parou par pernoitar em Genebra. Nesta cidade foi abordado Guilherme Farel, que defendia por não se contentar que Calvino estaria em Genebra. Farel o abordou por não se contentar que Calvino estaria lá só de passagem e a igreja com todos os seu problemas e necessidade a parecer.

Depois de muita argumentação e contra-argumentação entre Farel e Calvino, Farel sem conseguir convencer o jovem teólogo a ficar em Genebra apelou ao Senhor de ambos e insurgiu contra o teólogo com voz estridente: “ Deus amaldiçoe teu descanso e a tranqüilidade que busca para estudar, se diante de uma necessidade tão grande te retiras e te negas a prestar socorro e ajuda”.

Diante de enfático apelo de Farel cedeu e ficou em Genebra dias depois Calvino mesmo confessou: Senti....como se Deus tivesse estendido a sua mão do céu em minha direção para me prender... Fiquei tão aterrorizado que interrompi a viagem que havia encetado....Guilherme Farel me reteve em Genebra.

Inicialmente seu trabalho em Genebra foi um fracasso pois as pessoas não estavam dispostas a aceitarem as reformas calvinistas, o que acabou resultando na sua expulsão de Genebra em 1538. Levou três anos para o povo reconhecer as capacidades e intentos de Calvino, e em 1541 o convidam a voltar a Genebra, apelo que ele atendeu gratamente, porém não sem relutância.

Em Estrasburgo, agosto de 1540, Calvino casou-se com Idallete de Bure, viúva de um pastor anabatista e mãe de duas crianças, com quem foi feliz até que a morte a levou em 1549. Tiveram um único filho, o qual morreu ainda muito novo.

O período de 1548 a 1555 foi marcado na vida de Calvino pelas extensas e excessivas lutas contra hereges da cidade de Genebra, sendo que estas lutas tiveram o seu ápice na condenação e execução, por Calvino e aos seus , de Miguel Servetto em 1553. Em 1559 Calvino viu cumprir-se um dos seu sonhos, ao ser fundada a Univercidade de Genebra com um sistema de educação baseado em três níveis o qual seria um modelo educacional para a posteridade imediata .







Morte.



Calvino, que nunca fora robusto, morreu moço. Pregou seu ultimo sermão no dia seis de fevereiro de 1564 e faleceu a 27 de maio do mesmo ano, contando apenas 55 anos incompletos. A maravilha, porém, está em que não obstante as fraquezas físicas,as lutas incessantes e o trabalho excessivo , ele pudesse ter resistido tanto tempo. Somente a vida moderada e a força de vontade extraordinária podiam levá-lo tão longe.



Sua teologia.



Totalidade da depravação humana, entendendo que o homem herdou a culpa do pecado de Adão e nada pode fazer por sua salvação, uma vez que a sua vontade está totalmente corrompida. Calvino ensinava que a salvação é um assunto de eleição incondicional e independe do mérito humano ou da presciência de Deus: a eleição é fundamentada na sabedoria da vontade de Deus, havendo uma predestinação dupla, para a salvação e para a perdição. Calvino concebia ainda a limitação da redenção, ao propor que a obra de Cristo na cruz é restringida aos eleitos para a salvação. A doutrina da irresistibilidade da graça é necessária, então: o eleito é salvo independentemente de sua vontade, pois o Espírito santo o dirige irresistivelmente para Cristo. A perseverança dos santos é ponto final do seu sistema, os eleitos, irresistivelmente salvos pela obra do espírito santo, já mais se perderão.

Coordena sua teologia a idéia da sabedoria absoluta de Deus. Calvino tinha uma concepção majestosa de Deus, a exemplo da alguns dos profetas do Antigo Testamento. João Calvino foi um profundo conhecedor e estudioso das escrituras, toda sua teologia partiu das escrituras ele a partir daí apoiar nos escritos dos pais da igreja dos quais Agostinho é o seu preferido. Sua teologia e essencialmente bíblica.

Efésios.

Cristo à convivência das pessoas na igreja local, como também ao casamento, família a profissão. Também para essas situações Jesus é a paz.


Linguagem e estilo.

Não é possível que um autor use novas formas de expressão em uma nova situação. Isso pode ser causado pelas suas condições pessoais, mas muito mais pelas condições dos seus leitores. Afinal ele está escrevendo para a situação deles e querem eles o entendam. Colossenses é uma prova dessa capacidade de adaptação do apostolo Paulo.

Se alguém quer usar argumento contra um autor a linguagem não habitual do escrito em questão, precisa demonstrar que aquele autor não poderia em hipótese alguma, ter usado as termos do seu escrito . Seria muito difícil provar isso em relação a Efésios. O mesmo vale também para construções gramaticais.

Na verdade, o que chama a atenção é a diferença de estilo. Na primeira parte da carta, o que se destaca são os períodos longos e o acumulo de conceitos. Não teria sido possível que Paulo estivesse numa situação tranqüila, sem ter de defender o evangelho contra opositores, e formulasse a sua carta em forma de reflexão e de poesia?

Se de fato houve um imitador, como teria errado tão fragorosamente na primeira parte da carta? Não seria de se esperar um proximidade maior com os escritos do apostolo? Se houve esse imitador, foi um artista extra-ordinário.





Conclusão.

A carta aos Efésios e uma bela carta disso não tenho duvidas, mas as que eu tenho e de quem realmente a escreveu. Sei que a apenas uma hipótese sobre o assunto, não uma certeza. A plausibilidade pelas evidências do estilo e como Paulo aborda o assunto de que realmente não foi ele que a escreveu.









FOULKES,Francis. Introdução e comentário. Ed. Vida Nova. São Paulo, SP. 1981.

HORSTER, Gerhad. Introdução e síntese do Novo Testamento. Ed. Evangélica Esperança Curitiba Pr. 1996.

HALE, Broadus David. Introdução a Novo Testamento. Ed. Hagnus. São Paulo, SP. 2001

KUMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. Ed, Paulus. São Paulo, SP. 1982.

VAUGHAM, Curtis. Efésio, comentário bíblico. Ed vida, EUA, Miami, Florida, 1986

ZERWICK, Max. A epistola aos efésios. 2a ª Ed. ,Vozes; .Petropolis, RJ. 1984

terça-feira, 13 de abril de 2010

Credo dos Apostólos.

O CREDO DOS APOSTÓLOS

[O Credo Apostólico, tal como o conhecemos, encontra-se pela primeira vez em Dicta Abbatis Pirminii de singulis libris canonicis scarapsusu (= excerptus, excerto), c. 750.]

Creio em Deus, o Pai onipotente, Criador do céu e da terra.

E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu aos infernos, no terceiro dia ressucitou dos mortos, subiu aos céus, está sentado à destra de Deus, o Pai onipotente, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo, a santa igreja católica [cristã] , a comunhão dos santos, a remissão dos pecados, a ressurreição da carne e a vida eterna. Amém.

Henry Bettenson, Documentos da Igreja Cristã (SP: ASTE/Simpósio, 1998), p. 61.


O CREDO “NICENO” (381)

[Encontra-se em Epifânio, Ancoratus, 118, c. 374 d.C., e parece ter sido extraído por estudiosos, quase palavra por palavra, das leituras catequéticas de Cirilo de Alexandria. Foi lido e aprovado em Calcedônia, 451, como sendo o credo dos 318 padres conciliares de Nicéia e dos 150 padres que “se reuniram em outra oportunidade” (isto é, em Constantinopla, 381). Daí ser freqüentemente mencionado como “credo de Constantinopla” ou “credo niceno-constantinopolitano”. Muitos críticos opinam ser a revisão do credo de Jerusalém transmitido a Cirilo.]

Creio em um só Deus, o Pai onipotente, criador do céu da terra, de todas as coisas, visíveis e invisíveis.

E em um só Senhor Jesus Cristo, filho unigênito de Deus e nascido do Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai, por quem foram feitas todas as coisas; o qual por amor de nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus, e encarnou, pelo Espírito Santo, na virgem Maria, e se fez homem; foi também crucificado em nosso favor sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado; e ao terceiro dia ressuscitou, segundo as Escrituras; e subiu aos céus; está sentado à destra do Pai, e virá pela segunda vez, em glória, para julgar os vivos e os mortos; e seu reino não terá fim.

E no Espírito Santo, Senhor e vivificador, o qual procede do Pai,[1] que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; que falou pelos profetas.

E a igreja, una, santa, católica [cristã] e apostólica.

Confesso um só batismo, para a remissão dos pecados, e espero a ressurreição dos mortos e a vida do século vindouro. Amém.

Henry Bettenson, Documentos da Igreja Cristã (SP: ASTE/Simpósio, 1998), p. 63-64.


DEFINIÇÃO DE FÉ DE CALCEDÔNIA (451)

Fiéis aos santos padres, todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve con-fessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, per-feito quanto à humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, constando de alma raci-onal e de corpo; consubstancial [hommoysios] ao Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade; “em todas as coisas semelhante a nós, excetuando o pecado”, gerado segundo a divindade antes dos séculos pelo Pai e, segundo a humanidade, por nós e para nossa salvação, gerado da Virgem Maria, mãe de Deus [Theotókos];

Um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas nature-zas, inconfundíveis e imutáveis, conseparáveis e indivisíveis;[2] a distinção da naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só pessoa e subsistência [hypóstasis]; não dividido ou separado em duas pessoas. Mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus Verbo, Jesus Cristo Senhor; conforme os profetas outrora a seu respeito testemunharam, e o mesmo Jesus Cristo nos ensinou e o credo dos padres nos transmitiu.

Henry Bettenson, Documentos da Igreja Cristã (SP: ASTE/Simpósio, 1998), p. 101.


O CREDO DE ATANÁSIO (escrito contra os arianos)

(1) Todo aquele que quer ser salvo, antes de tudo deve professar a fé católica [cristã]. (2) Quem quer que não a conserve íntegra e inviolada, sem dúvida perecerá eternamente.
(3) E a fé católica consiste em venerar um só Deus na Trindade (4) e a Trindade na unidade, sem confundir as pessoas e sem dividir a substância.
(5) Pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; (6) mas uma só é a divindade do Pai e do Filho e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade.
(7) Qual o Pai, tal o Filho, tal também o Espírito Santo.
(8) Incriado é o Pai, incriado o Filho, incriado o Espírito Santo.
(9) Imenso é o Pai, imenso o Filho, imenso o Espírito Santo.
(10) Eterno o Pai, eterno o Filho, eterno o Espírito Santo; (11) contudo, não são três eternos, mas um único eterno; (12) Como não há três incriados, nem três imensos, porém um só incriado e um só imenso.
(13) Da mesma forma, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito é onipotente; (14) contudo, não há três onipotentes, mas um só onipotente.
(15) Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus; (16)e todavia não há três Deuses, porém um único Deus.
(17) Como o Pai é Senhor, assim o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor; (18) entretanto, não são três Senhores, porém um só Senhor.
(19) Porque, assim como pela verdade cristã somos obrigados a confessar que cada pessoa, tomada em separado, é Deus e Senhor, assim também estamos proibidos pela religião católica de dizer que são três Deuses ou três Senhores.
(20) O Pai por ninguem foi feito, nem criado, nem gerado.
(21) O Filho é só do Pai; não feito, nem criado, mas gerado.
(22) O Espírito Santo é do Pai e do Filho; não feito, nem criado, nem gerado, mas procedente. (23) Há portanto, um único Pai, não Três Pais; um único Filho, não três Filhos; um único Espírito Santo, não três Espíritos Santos.
(24) E nesta Trindade nada é anterior ou posterior, nada maior ou menor; (25) porém todas as três pessoas são coeternas e iguais entre si; de modo que em tudo, conforme já ficou dito acima, deve ser venerada a Trindade na unidade e a unidade na Trindade.
(26) Portanto, quem quer salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade.

(27) Mas para a salvação eterna também é necessário crer fielmente na encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo.
(28) A fé verdadeira, por conseguinte, é crermos e confessarmos que nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.
(29) É Deus, gerado da substância do Pai antes dos séculos, e é homem, nascido no mundo, da substância da mãe.
(30) Deus perfeito, homem perfeito, subsistindo de alma racional e carne humana.
(31) Igual ao Pai segundo a divindade, menor que o Pai segundo a humanidade.
(32) Ainda que é Deus e homem, todavia não há dois, porém um só Cristo.
(33) Um só, entretanto, não por conversão da divindade em carne, mas pela assunção da humanidade em Deus.
(34) De todo um só, não por confusão de substância, mas por unidade de pessoa.
(35) Pois, assim como a alma racional e a carne é um só homem, assim Deus e homem é um só em Cristo; (36) o qual padeceu pela nossa salvação, desceu aos infernos, ressuscitou dos mortos, (37) subiu aos céus, está sentado à destra do Pai, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.
(38) À sua chegada todos os homens devem ressuscitar com seus corpos e vão prestar contas de seus próprios atos; (39) e aqueles que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna; aqueles que tiverem praticado o mal irão para o fogo eterno.
(40) Esta é a fé católica. Quem não crer com fidelidade e firmeza, não poderá salvar-se.



[1] As adições “Deus de Deus” (do credo de Nicéia) e “(do Pai) e o Filho” ocorreram, pela primeira vez, no “credo de Constantinopla” como foi recitado no III Concílio de Toledo, em 589. A última frase, a “clausula filioque”, já tinha sido usada numa anterior Concílio de Toledo, em 477. Ela cresceu em popularidade no Ocidente e foi incluída em muitas versões do credo, excluindo-se o da Igreja de Roma, onde Leão III, em 809, recusou-se inseri-la. Mas, em 867, Nicolau I foi excomungado por Fócio, Bispo de Constantinopla, por ter corrompido o credo ao adiciona-la.
[2] Em dyo physesin, asygchytôs, atréptôs, adiairétôs, achôristôs.

II Concílio de Constantinopla.

Os “Três Capítulos” - Os cânones do Segundo Concílio de Constantinopla (533)

[As obras de três teólogos nestorianos ou seminestorianos, Teodoro de Mopsuéstia, Teodoreto de Ciro e Ibas de Edessa, tinham sido resumidas como os “três capítulos” e aprovadas em Calcedônia. Mas os monofisitas pressionaram o Imperador Justiniano através de sua mulher Teodora, conseguindo que ele condenasse os “três capítulos” por um edito em 543. O Papa Virgílio foi persuadido, ou intimidado, a confirmar essa condenação, mas a opinião surgida no Ocidente o levou a solicitar a convocação de um concílio ecumênico, que se reuniu em Constantinopla e condenou os “capítulos”. Assim, “o Oriente foi reconciliado às custas do Ocidente” (M. Deanesley, History of the Medieval Church, p. 11).]

1. Se alguém não reconhece a única natureza ou substância (oysia) do Pai, Filho e Espírito Santo, sua única virtude e poder, uma Trindade consubstancial, uma só divindade adorada em três pessoas (hypostáseis) ou caracteres (prósôpa), seja anátema. Porque existe um só Deus e Pai, do qual procedem todas as coisas, e um só Senhor Jesus Cristo, através do qual são todas as coisas, e um só Espírito Santo, no qual estão todas as coisas.

2. Se alguém não confessa que há duas concepções do Verbo de Deus, uma antes dos tempos, do Pai, intemporal e incorporal, e a outra nos últimos dias, concepção da mesma pessoa, que desceu do céu e foi feito carne por obra do Espírito Santo e da gloriosa Genitora de Deus e sempre virgem Maria, e que dela nasceu, seja anátema.

3. Se alguém disser que existiu um Deus-Verbo, que fez os milagres, e um outro Cristo, que sofreu, ou que Deus, o Verbo, estava com Cristo quando nasceu de uma mulher, ou que estava nele como uma pessoa em outra, e que ele não era um só e o mesmo Senhor Jesus Cristo, encarnado e feito homem, e que os milagres e os sofrimentos que ele suportou voluntariamente na carne não pertenciam à mesma pessoa, seja anátema.

4. Se alguém disser que a união de Deus, o Verbo, com o homem, foi feita quanto à graça, ou à ação, ou à igualdade de honra ou autoridade, ou que era relativa ou temporária ou dinâmica,[1] ou que era conforme o beneplácito (do Verbo), sendo que o Deus Verbo se comprazia com o homem...

5. Se alguém conceber a única personalidade (hypóstasis) de nosso Senhor Jesus Cristo de tal modo que permita ver nela diversas personalidades, tentando introduzir por este meio duas personalidades ou caracteres no ministério de Cristo, dizendo que dessas duas personalidades introduzidas por ele provém uma única personalidade quanto à dignidade, à honra e à adoração, como Teodoro e Nestório escreveram em sua loucura, caluniando o santo Concílio de Calcedônia ao alegar que a expressão “uma personalidade” foi por ele usada com essa ímpia intenção; e se não confessar que o Verbo de Deus foi unido à carne quanto à personalidade (kath’hypóstasin)...

6. Se alguém aplicar à gloriosa e sempre virgem Maria o título de “genitora de Deus” (theotókos) num sentido irreal e não verdadeiro, como se um simples homem tivesse nascido dela e não o Deus Verbo feito carne e dela nascido, enquanto o nascimento só deve ser “relacionado” com Deus o Verbo, como dizem, porquanto ele estava com o homem que foi nascido...

10. Se alguém não confessar que aquele que foi crucificado na carne, Nosso Senhor Jesus Cristo, é o verdadeiro Deus e Senhor da glória, parte da santa Trindade, seja anátema...

[Os quatro cânones restantes tratam com mais pormenores das opiniões os três teólogos.]


Henry Bettenson, Documentos da Igreja Cristã (SP: ASTE/Simpósio, 1998), pp. 159-160.




[1] [Katà] anaphorán, ê, schésin, ê dynamin, talvez: “feita por promoção ou possessão ou poder”.

Minha visão

Quando olhamos para o próximo.




Quando olhamos só para nós mesmos esquecemos do mundo. Olhando somente para nosso próprio umbigo, fazemos o que nos agrada, somos sempre os beneficiados com tudo que está ao nosso redor, inclusive o dinheiro e tudo aquilo que possa nos dar um tipo de poder. Nosso maior obstáculo sempre será nós mesmos. Nossa ambição para sermos sempre os ganhadores, o ilustres de toda e qualquer situação, nos faz errantes e gananciosos. Pessoas que não se preocupam com outras. Homens que fazem de tudo para continuar olhando só para si mesmo.



Com este olhar fechando em si mesmo, o que acontece ao seu redor é secundário, tudo vira segundo plano. Até a família vira segundo ou terceiro plano. Não se pode enxergar tudo olhando para si mesmo. Não se vê a boa reputação indo embora, a honestidade, a ética escorrendo entre os dedos. Tudo isso vai embora quando olhamos para nós mesmos.



Nosso olhar precisa se firmar no próximo, ele precisa ser nosso norte. Não existimos sozinhos, nossos problemas não são os únicos. Há milhões de indivíduos neste planeta que precisam de um olhar atencioso. Mas se eu olhar apenas para meu umbigo como vou enxergar tal situação!?!



Precisamos fazer como o mestre, fazer do outro alguém importante, pois se não, nos perderemos olhando para nós mesmo. Somente quando olhamos para o próximo, não para condená-lo mas para aprendermos, conseguiremos fazer um Brasil melhor, pois agora não existo sozinho, existem outros comigo na mesma caminhada, rumo a um lugar melhor para se viver.

Ninguém é uma ilha.

Na criação o homem ganha seu par. Ele sente a solidão da vida e logo pede uma axiliadora. Fico observando como esse conseito mudou, como os indivíduos de hoje só pensam em si mesmo. Criaram um mundinho particular. A vida para nossos dias parece ser melhor solitária, ao contrio da criação.
O homem entrou em um eucentrismo capitalista que mudou radicalmente o olhar para outro. Agora o outro não e mais importante, a não ser que possa lhe oferecer algo. Oferecer algo no sentido de beneficio própirio. Quando se é beneficiado, ai sim há um olhar para o próximo, um olhar de posse .
Precisamos voltar a pensar no outro como um ombro amigo e não como meio para lucros, pensar que não somos uma ilha e não conseguimos viver só.